Há 18 horas
domingo, 25 de abril de 2010
Ceará - Viagem de trem
Viagem de Trem
Até meus vinte e poucos anos, se não me falha a memória, circulava no Ceará o trem de passageiros. Este percorria o trecho de Crato a Fortaleza, e vice- versa, passando por Aurora, minha cidade natal. Este percurso nós os fizemos por diversas ocasiões, principalmente quando da saída e do retorno das férias escolares, pois estudávamos em Fortaleza. E quando havia festa em Aurora era o nosso principal meio de transporte. Neste dia era lotação certa.
Os horários variavam muito. De início o trem saía pela madrugada, de Crato com destino à Capital Cearense. Depois mudou. Passou a pegar o trilho por volta das treze ou quatorze horas. Se eu não me engano, este foi o último horário estabelecido pela REFFESA para este percurso. Com certeza, também foi o melhor para nós que sempre nos deslocávamos para os festejos em Aurora. Daí, pegávamos o retorno pela madrugada, vindo de Fortaleza, por volta das cinco horas da manhã, já nos “finalmente” da festa.
De Crato até Aurora interpunham-se as estações de Juazeiro do Norte, Missão Velha e Ingazeiras. Dentre estas havia algumas paradas obrigatórias. Destas lembro-me somente da parada de Várzea Redonda, a qual fica entre Aurora e Ingazeiras, justamente porque embarquei lá por muitas vezes.
O transporte ferroviário era, naquele tempo, o mais em conta. Mesmo assim, para economizar e gastar no próprio refeitório do trem, em algumas ocasiões, driblávamos o cobrador, e não pagávamos a passagem, ou liquidávamos de uns e outros não, pois era muito fácil fazer isto. Noutra eu conto como fazíamos para despistá-lo. Além do mais a viagem era uma maravilha. Trafegávamos sempre em família e, freqüentemente íamos no restaurante tomando uma cervejinha, beliscando alguma coisa, conversando e, dependendo da sorte, “ficando” como se fala hoje em dia.
Este local chamado restaurante era um vagão preparado para este fim. Tinha garçom, geladeiras, cadeiras, etc., prontinho para curtirmos aquela aventura com tranqüilidade. Sacolejava muito e eventualmente tínhamos que nos agarrar ao que estava sobre a mesa. A gente já era tão conhecido, que tinha “cadeira cativa”. O bom é que, aqui e acolá, sobrava uma garota e a gente “lavava a égua”. Bebíamos e comíamos, ao mesmo tempo, até chegar à estação final.
Geralmente embarcávamos em Juazeiro do Norte. Outras vezes, em Aurora. A primeira estação, quando tomávamos o trem de ferro na Terra do Padre Cícero, era Missão Velha. Ali começávamos as comilanças. Saboreávamos a melhor macaxeira do Ceará. As pessoas comentavam que esta era cultivada dentro do cemitério local motivo daquele sabor inigualável.
Entre Missão Velha e Ingazeiras, já próximo desta, ocorria um fato curioso e pitoresco. Havia um garoto que, trajando-se de Chefe de Estação, a caráter mesmo, logo que notava a aproximação do comboio, vindo de qualquer direção e em qualquer horário, tocava um sino, semelhante ao que se fazia nas estações ferroviárias quando da partida e da chegada dos trens.
Outro fato que merece registro era o momento que o trem passava nas demais estações de seu percurso. Nas cidades pequenas como Cedro, Piquet Carneiro, Capistrano, Lavras da Mangabeira, e todas as demais do mesmo porte, esta ocasião era muito festejada. Todos se reuniam para prestigiar. Eu mesmo não perdia uma passagem de trem. Era muito divertida esta ocasião.
Este meio de transporte jamais deveria ter sido desativado no Nordeste Brasileiro. Era de baixo custo e de alto impacto sócio-econômico. Muitos o usavam para transportar pequenos animais, quantidades inexpressivas de mercadorias. Lembro-me que na estação de Juazeiro do Norte tinha até uma pequena feira livre nas chegadas e partidas dos trens de passageiros. Era um verdadeiro Mercado Persa. Ali se encontrava de tudo. Podia-se procurar que se encontrava até bainha prá foice. “Do penico à bomba atômica” esta seria e expressão mais apropriada para este evento.
No entra-e-sai, e desce e sobe das várias estações, fazíamos novas amizades e revíamos velhos amigos e companheiros. Além de alavancar o comércio com suas trocas e vendas de mercadorias as mais diversas e extravagantes possíveis, o trem de ferro sobre os trilhos de aço, num vai-e-vem apressado e impaciente, também construía muitos amores e paixões, e alavancava muitas esperanças e desilusões.
José Arimatéia de Macêdo & outras mãos...
Site: http://www.arimateia.med.br/
E-mail: arimateia@gmail.com
quinta-feira, 18 de março de 2010
Trem do Pantanal - um pouco de história
Trem do Pantanal - o resgate da história
Publicado originalmente em Overmundo
por Carol Alencar
Muito se sabe que o Trem do Pantanal sempre foi um marco de muita importância para a memória e estórias do “povo” pantaneiro.
A saudade do Trem do Pantanal bate forte nas lembranças de algumas pessoas que, na década de 60, se tornava quase incontida.
Viajantes assíduos daquele trem sacolejando os nossos sonhos, fugindo de uma paixão mal resolvida ou pelo simples fato de viajar, vem na lembrança do famoso e suculento bife a cavalo e da cerveja quente, servida no restaurante freqüentado por gringos, mochileiros e solitários.
Dos amores e desencontros nas cabines mal ventiladas. Quem não viajou no Trem do Pantanal fazendo turismo, buscando novos caminhos rumo aos Andes, ou simplesmente curtindo o romantismo de uma viajem com direito a céu estrelado, não pode imaginar como era o burburinho nas estações superlotadas, gente de todo lugar. A presença do bugre pantaneiro, de pé no chão vendendo chipa, o peixe frito e o caju ao viajante debruçado na janela. Ou o cheiro da relva molhada de orvalho, de manhã, quando estava atravessando o rio Paraguai.
São essas as lembranças de quem fazia as viagens do trem de antigamente.
Resgatando toda uma história e não podendo abandonar o turismo da região, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, lançou um projeto que é considerado um empreendimento estratégico para a economia do Estado e um elemento impulsionador de uma política social junto às comunidades da região.
O Governo Federal disponibilizou cerca de R$100 milhões para a recuperação da ferrovia, incluindo locomotivas, no trecho entre Corumbá e Bauru.
O Secretário de Infra-Estrutura e Habitação, Carlos Augusto Longo Pereira, em reunião, disse que, para que o Trem do Pantanal volte a transportar passageiros só falta reformar a estação. “É uma exigência da Agência Nacional de Transportes Terrestres que as estações ao longo dos percursos estejam em funcionamento, e que todas as passagens de nível estejam sinalizadas”, explicou.
A reforma da estação, que foi construída em 1922, vai custar R$ 96 mil e deve começar em dez dias. A conclusão está prevista para o início de abril, quando deve ser inaugurado o Trem do Pantanal com a presença do Presidente Lula.
O Trem do Pantanal irá atender a demanda de turismo entre Campo Grande e Corumbá, em uma extensão de 459 km, utilizando a malha da Ferrovia Novoeste, parceira do projeto do governo.
A princípio, o trem passará por quinze estações ferroviárias, e fará um trajeto da cidade de Corumbá a Porto Esperança. Haverá espaço para 192 passageiros, divididos em cinco vagões, e o esperado é que, em cada estação, por onde o trem percorrer, o turista encontre apresentações e exposições de cunho regional, mostrando um pouco da cultura e dos produtos pantaneiros, como danças típicas, artesanatos, comidas entre outros.
Enquanto esperamos, apenas ouvindo a canção criada por Paulo Simões e Geraldo Rocca, o Trem do Pantanal fica só na memória de uns e na ansiedade dos “novos” poderem um dia deleitar-se da viagem do famoso e estimado Trem.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Estação Paulista de Bauru - Após 100 anos, a reforma
(para ver a imagem ampliada, clique sobre ela)
Matéria originalmente publicada no Jornal da Cidade de Bauru e região
19/02/2010
Após 100 anos, a reforma
Projeto de restauração na área da Estação da Paulista, que irá abrigar o MIS, foi anunciado ontem, na comemoração dos 100 anos da chegada do primeiro trem a Bauru
Karla Beraldo
Bauru comemorou ontem o centenário da chegada do primeiro trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro a cidade. Além de celebrar a data, a cerimônia, realizada na plataforma da Estação Ferroviária Paulista, representou a possibilidade de novas viagens por esses trilhos.
Ao som da Orquestra Sinfônica Municipal, o projeto de restauração da área que irá abrigar o Museu da Imagem do Som (MIS) de Bauru foi anunciado e começa a sair do papel. Instalado no prédio da antiga Estação da Paulista (na esquina das ruas Júlio Prestes e Rio Branco), o espaço aguardava a liberação de R$ 396 mil em recursos, de duas emendas do Orçamento da União, destinadas à recuperação do prédio.
“A Caixa Econômica Federal (CEF) já deve liberar a verba na semana que vem para abrirmos o edital de licitação. Nossa estimativa é que de 10 a 12 meses as reformas sejam finalizadas”, afirmou o prefeito Rodrigo Agostinho sobre as obras, que incluem restauro, pintura, troca de madeiramento e fiação entre outras medidas. A previsão é que o museu seja inaugurado no primeiro semestre do ano que vem.
Além do MIS, a área irá abrigar o Museu Histórico Municipal, que, atualmente, está instalado em um imóvel da quadra 13 da rua Antônio Alves. “A intenção é ocupar o espaço com atividades culturais e turísticas, como um passeio de ligação entre o MIS e o Museu Ferroviário”, comenta Jair Aceituno, diretor do Departamento de Patrimônio Histórico. Para o secretário municipal de Cultura, Pedro Romualdo, a ativação do espaço irá contribuir ainda com a revitalização do Centro da cidade.
“Nossa intenção não é dar vida só aos prédios, mas recuperar todo o ambiente ferroviário, que representa uma parte muita representativa da história de Bauru. Toda a área ao longo da ferrovia tem muitas condições de fortalecer o turismo cultural no centro e contribuir com a economia da cidade”, considera.
Além da Estação Paulista, a de Tibiriça também passará por reforma e será utilizada para atividades turísticas, culturais, esportivas e ecológicas. Já a estação de Val de Palmas, em melhor estado comparada as anteriores, será reformada com recursos da prefeitura. Há ainda, segundo Agostinho, a possibilidade da instalação do Museu do Trem, projeto em fase de discussão.
Comemoração
A comemoração dos 100 anos da chegada a Bauru do primeiro trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro contou com a presença de autoridades bauruenses, funcionários da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), além de amantes da ferrovia. A cerimônia foi encerrada com o plantio de uma muda de árvore no pátio da estação pelo prefeito Rodrigo Agostinho e Valdomiro Rett, que foi funcionário da Companhia Paulista por 37 anos.
Marcadores:
Bauru,
estação paulista,
inauguração,
reforma
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
1939 - Ouro Branco em Bauru
“A Canaan dos modernos desbravadores mora no oeste acima, onde o sol é adusto e a terra jovem palpita de seiva pujante e fértil.
Deixando Rubião Junior a diluir-se, lá atraz, no fundo azul da paisagem, batida de claridade forte, as fronteiras dos rincões verazes se abrem, acolhedoras e amplas, aos olhos do viajante. O caminho corre sobre rampas, que volutam caprichosas e constantes vão vencendo velozmente.
A via permanente é uma alameda bem cuidada de jardim, calçada de pedregulho grande, enegrecido pela fuligem das locomotivas; boeiros simétricos, revestido de gramíneas repolhudas e viçosas, ora verde, ora desbotadas, correm parelha com as fitas de aço, farfalhando, pelas mãos do vento, a sua alegria saudável; a cerca de arame farpado, com moirões de guarantan, forma alas uniformes ao comboio que se engolfa sinuosamente; além, e a perder de vista, cafeeiros perfilam tranqüilamente a sua riqueza. Eis a moldura que se rasga perante as retinas do passageiro estreante.
Já ali se vai sentindo a força indômita, e construtora do escravo da gleba. A anunciar belos vaticínios. Mais tarde, a jornada se projeta na placidez de longas retas, e os trilhos parecem enterrar-se, subitamente nas entranhas da terra, lá no baratro arcual do nada. Mas o traçado e a perspectiva guardam sempre o mesmo emlevo de paisagem bem penteada. E depois a alameda do caminho de aço aponta, na frente, as portas da Canaan: Bauru.
Para quem deseja sentir o contacto daquele mundo novo, não é necessário afundar-se pelo sertão impérvio. Basta descer em Bauru.
Logo na estação ferroviária as palpitações de um comércio intenso de viadantes fala expressivamente. A plataforma em construção projeta para o alto as vigas de cimento armado e o comboio se embrenha em um aranhol confuso de andaimes e gilvazes. Ruídos de locomotivas, de sirenas, de martelos de artífices que armam o arcabouço do imenso galpão. No espaço escuro, a caliça densa. E entremeio aquela ruiva nebulosa de poeira, borbulha a multidão afoita. Respira-se já, a febre da Canaan.
A cidade tem a inquietude das grandes vésperas, dos grandes acontecimentos da humanidade; tudo é recente, transitório.
Transitório do bom para o melhor, do grande para o amplo, do rico para o suntuoso.
Para aquela inquietude cigana de desbravador é sempre dia, um dia sem limites, ansioso, trepidante, em que as virtudes inatas de trabalho e de realizações do homem, esporeadas pelo desejo de conquistar depressa qualquer coisa de seguro e de sólido, vive à flor dos seus gestos mais comuns.
E ao embalo desse alvoroço de fortuna fácil, a criatura se embriaga numa porfia de titans, criando os fundamentos de um mundo inédito de riqueza, de civilização e de vida. E é para essa Canaan contemporânea que a Sorocabana destina a sua expressão dinâmica mais moça: o Ouro Branco.
Os algodoais noroestinos tem agora, um símbolo próprio a riscar a distância que separa os dois grandes núcleos de trabalho, São Paulo e Noroeste, aproximando o artezão da industria e o bandeirante das terras ubertosas. A Sorocabana foi a primeira ferrovia a abicar Bauru. E é a primeira a nutrir a força propulsora econômica daquelas paragens, com o veículo novo da velocidade.
Um símbolo moderno de transporte entre as glebas, que a vontade do homem vai rapidamente amanhecendo para grandes destinos, e a cidade paulistana. Eis o Ouro Branco.”
(texto extraído da Revista "Nossa Estrada - mensário oficial da Estrada de ferro Sorocabana - nº11 Maio de 1939)
100 anos do primeiro trem em Bauru
18/02/2010
100 anos do primeiro trem
A Secretaria Municipal de Cultura celebra hoje, às 15h, na plataforma e pátio da Estação Ferroviária Paulista de Bauru, no início da rua Rio Branco, em frente à feira do rolo, os 100 anos da chegada a Bauru do primeiro trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Na oportunidade, o prefeito Rodrigo Agostinho e o secretário de Cultura, Pedro Romualdo, apresentarão às autoridasdes bauruenses, imprensa e público interessado o projeto de recuperação da área da ferrovia e utilização cultural e turística do equipamento disponível, com abrangência local e regional.
Além dos dois museus previstos para ocupar espaços do prédio da Estação da Paulista, o complexo deverá reunir o Museu Ferroviário, o Projeto Ferrovia Para Todos e até o turismo ferroviário regional.
A homenagem ao Centenário da Ferrovia Paulsita de Bauru terá participação especial da Orquestra Sinfônica Municipal, que abrirá o evento comemorativo, cuja concretização se deu em 18 de fevereiro de 1910.
O “acontecimento” foi a “mola propulsora” do progresso de Bauru, estabelecendo a cidade como “o maior entroncamento ferroviário do Interior brasileiro”, até da América Latina.
Atualmente, o prédio da antiga estação está cedido ao município e em preparo para a instalação dos museus da Imagem e do Som e Histórico Municipal.
De acordo com Jair Aceituno, diretor do Depto de Patrimônio Histórico, a prefeitura, através da Secretaria de Cultura , já tem verbas para as reformas, resultantes de emendas parlamentares, depositadas na Caixa Econômica Federal (CEF).
domingo, 24 de janeiro de 2010
Bauru-SP - Patrimônio da ferrovia a caminho do ‘ferro-velho’
É com pesar que publico a matéria abaixo aqui. Contudo essa é a realidade de muitas ferrovias no Brasil e particularmente em Bauru -SP
Antonio Morales
Patrimônio da ferrovia a caminho do ‘ferro-velho’
Matéria publicada no Jornal da Cidade de Bauru e região na edição de 23/01/2010
Rodrigo Ferrari
Parte do patrimônio das estradas de ferro paulistas corre o risco de ir parar no ferro-velho. Em Bauru, vagões e locomotivas pertencentes à antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) apodrecem ao relento no pátio de Triagem Paulista, no Jardim Guadalajara. O problema começou no final da década passada, período em que a estatal foi privatizada.
A Ferroban, vencedora da licitação para concessão da “Malha Paulista” da RFFSA, tirou de circulação as locomotivas movidas a eletricidade, utilizadas no transporte de passageiros. As velhas máquinas e os vagões obsoletos foram então deixados à própria sorte nos pátios das estações situadas ao redor do Estado.
Com o passar dos anos, o processo de deterioração desses materiais se aprofundou ainda mais. Na prática, os carros abandonados se converteram em abrigo para andarilhos, usuários de drogas e animais peçonhentos. Além disso, vagões e locomotivas tornaram-se alvos prediletos de vândalos e “garimpeiros” de sucata.
Tanto que, hoje em dia, é difícil encontrar um veículo intacto no pátio de Triagem. Aliás, o local lembra bem um corredor da morte, onde as carcaças dos trens aguardam o momento em que receberão o golpe de misericórdia a ser desferido pelo tempo - ou algum coletor de sucata.
A América latina Logística (ALL), que adquiriu o controle da Ferroban e da Novoeste (concessionária da malha da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), passou a recuperar os carros que ainda apresentavam condições de uso. Ao todo, a empresa alega já ter restaurado 6 mil vagões, desde que assumiu a concessão. Afirma ainda que pretende reformar mais 1.350 carros nos próximos anos.
Outros 639 vagões e locomotivas, cuja recuperação mostrava-se inviável, foram deixados de lado pela concessionária. A ALL alega que, atualmente, os carros obsoletos são de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Recentemente, o Ministério Público Federal determinou a remoção desse material (que estava espalhado em 34 estações ferroviárias do Estado) para três pátios, entre eles o de Triagem. A remoção vem sendo feita pela própria ALL, que afirma estar desembolsando em torno de R$ 3 milhões na operação. O Dnit, por sua vez, garante que ficará responsável pela segurança dos veículos.
Apesar do órgão publico ter se comprometido a zelar pelo patrimônio da ferrovia, a reportagem recebeu esta semana a informação de que os vagões e locomotivas estariam recebendo a visita dos “garimpeiros da sucata”. Peças, fiação e até extintores de incêndio já teriam sido furtados do local.
“Esse material é patrimônio público. Mesmo que não apresentasse condições de uso, poderia ser leiloado a fim de gerar receitas para a União”, afirma o vereador Roque Ferreira (PT), diretor do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Segundo informações do Dnit, os vagões e locomotivas mantidos no pátio de Triagem serão avaliados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e posteriormente vendidos em leilão público. O processo de remoção de veículos espalhados pelo Estado está previsto para terminar em julho deste ano.
O procurador da República Pedro de Oliveira Machado afirmou ao Jornal da Cidade que, nos próximos dias, irá retomar a questão dos trens abandonados. “Precisamos checar esse assunto a fundo para garantir que esse patrimônio não se perca”, garantiu.
____________________
Destino de peças ‘tombadas’ é incerto
Recentemente, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac) de Bauru iniciou processo de tombamento de dez veículos que integravam o patrimônio da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), empresa liquidada no governo de Mário Covas (PSDB), depois incorporada à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) e posteriormente privatizada.
Entre os materiais em fase de tombamento constam: um guindaste GF 201, movido a vapor; um carro restaurante; um vagão dormitório; um truck de rodas raiadas; dois vagões de passageiros; um carro pullman; um carro de madeira; um vagão de manutenção e uma locomotiva a diesel.
De acordo com o presidente do Condepac, Sérgio Losnak, assim que se inicia o processo de tombamento, o proprietário torna-se obrigado a zelar pela preservação do bem. Em nota enviada à reportagem ontem, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) comprometeu-se a zelar pela segurança dos veículos que integravam o patrimônio da RFFSA.
Porém, Losnak e os demais integrantes do Condepac estão apreensivos quanto ao futuro das peças mantidas no pátio de Triagem Paulista, considerado um local de “canibalismo”. “Nossa maior preocupação é retirar esse material de lá para que o patrimônio - de valor inestimável para a cidade - não se transforme em sucata”, afirma.
Segundo ele, a Prefeitura de Bauru já teria manifestado ao Dnit (por escrito, inclusive) o interesse em assumir a responsabilidade pelos veículos em fase de tombamento. O material passaria a integrar o acervo do Museu Ferroviário.
Para que essa hipótese se concretize, porém, o Município depende de aval do órgão federal. Ao que tudo indica, a transferência só acontecerá depois que as peças forem avaliadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas isso ainda não tem data prevista para ocorrer.
Enquanto a situação não se define, o patrimônio da ferrovia permanece refém dessa situação de “vácuo de responsabilidades”, correndo o risco de, mais dia menos dia, tombar literalmente sob a mão impiedosa do tempo.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Bandeiras e resistência
por Antonio Morales
Esta história foi originalmente publicada no blog Arquivo 68 e é a mesma que gerou o post Ferroviários em greve.
Lendo o post do Novelino UMA BANDEIRA NO CHÁ, fragmentos da memória de um acontecido lá pelos anos 63/64 vieram à tona.
Isso porque, penso eu, a imagem da bandeira brasileira portada por ferroviários em greve tem uma certa semelhança com a bandeira balançando ao vento no Viaduto do Chá por um herói solítário e anônimo.
Tinha eu meus 14 ou 15 anos quando uma das greves dos ferroviários parou os trens da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Como de costume, alguns ferroviários, por medo ou outros motivos se tornavam os chamados “fura-greves” ou “pelegos”(termo que depois passou a ser aplicado a sindicatos que colaboravam com o Governo), estimulados pela Ferrovia, que claro, queria manter seus trens circulando a qualquer preço.
Os ” fura-greves” eram recrutados especialmente entre os maquinistas e seus ajudantes, pois eles faziam as locomotivas continuarem funcionando e os trens circulando, mesmo com falta de pessoal para as outras tarefas.
Essa situação produziu a cena!
Ferroviários em greve sentados e deitados nos trilhos e no limpatrilhos da locomotiva a vapor que avançava fumegando e ameaçando passar por cima dos grevistas.
Os ferroviários sentados no limpa-trilhos portavam uma grande bandeira brasileira e os sentados e deitados nos trilhos cantando o Hino Nacional Brasileiro a plenos pulmões.
Com um detalhe: meu pai era um dos grevistas!
Meu coração de criança acelerado pelo medo e pela emoção!
Felizmente tudo acabou bem.
O maquinista parou a locomotiva e ninguém se feriu. Prevaleceu a razão e a solidariedade, pois nesse momento o maquinista e seu ajudante se juntaram ao movimento grevista!
Assinar:
Postagens (Atom)









