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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Rumo ao sol. De trem!


por Eli Angela

Final de ano...

A ansiedade tomava conta de nós, crianças. Meu avô (ferroviário...)reunia os netos, fazia planos.Minha avó, com seu casaco lindo, de passeio,aprontava as malas, garantia o estoque de balas e afins. Contávamos as horas, mal conseguíamos dormir, na véspera.

Nem havia amanhecido ainda e nós, saltitantes, íamos todos para a estação de trens, onde a aproximação da locomotiva fazia o coração bater mais forte de emoção .
Era imensa, enorme,meio assustadora em sua imponência.

Tomávamos nossos lugares nos bancos(eu adorava a "janelinha"- e quem não?) , começava o movimento dos vagões , tudo ficando para trás...paisagens novas, vento no rosto , sorrisos, brincadeiras - rumo ao sol, ao céu, ao mar ...de Santos!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Era uma vez um trem

Era uma vez um trem que me levava todos os dias para a escola. Esse trem com locomotiva a vapor e vagões de passageiros de madeira-igualzinho àqueles que costumamos ver em filmes de John Ford, perseguidos por índios em fúria - foi um dia a Companhia Douradense de Estradas de Ferro e depois se tornou um ramal da Cia Paulista de Estradas de Ferro que ligava minha pequena cidade natal-Trabiju-SP-a Dourado-SP.

Nos anos 60, viajei diariamente nesse trem por 03 anos para frequentar a Escola Normal(curso equivalente ao curso médio que na época formava os professores primários) em Dourado-SP.

Como apenas haviam dois trens para Dourado, o de ida as 7 horas da manhã e o de volta, ás 20 horas, minha mãe preparava uma marmita com meu almoço que eu levava e aquecia para comer na hora do almoço.

O detalhe é que nesses três anos morei da estação ferroviária onde meu pai, que era ferroviário, conseguiu com as autoridades da ferrovia, um pequeno quarto com banheiro onde colocamos uma cama, para que eu pudesse pernoitar quando preciso e uma mesa para que eu pudesse estudar e redigir minhas tarefas escolares.

Como a escola era apenas meio período convivia muito com o pessoal da estação e até aprendi a utilizar o telégrafo. Quando partia o último trem à 20 horas, a estação fechava eu ficava sozinho naquele prédio enorme, apenas contando com a presença distante de um vigia das instalações que de vez em quando se animava a conversar para espantar as assombrações, cujas histórias, confesso, me causavam, ainda, calafrios naquela solidão dos trilhos e barracões sem viva alma!

Felizmente a ferrovia durou até que eu terminasse meu curso, pois logo depois os trens pararam de circular e o apito da Maria Fumaça se calou para sempre!